Guia ilustrado de identificação de cogumelos mágicos na Natureza

A você que se interessa por tomar cogumelos, mas não sabe onde e como consegui-los, saiba que eles podem estar mais perto de você do que você imagina. As informações a seguir, asseguro-lhe, são suficientes para que você saia de onde está e os encontre com sucesso, sem que você precise recorrer à ajuda / companhia de alguém experiente.

Se preferir, você pode baixar em formato PDF todo o conteúdo abaixo para tê-lo à mão, como material de consulta, sempre que você sair para procurar seus cogumelos. Faça o download gratuitamente clicando neste link.

Em primeiro lugar, entretanto, é necessário que se saiba que tanto no Brasil como em qualquer lugar do mundo, cogumelos mágicos dependem de algumas condições naturais para que possam surgir. Você deve, antes de tudo, estar a par das informações que descrevem estas condições, isto será a base de seu conhecimento. Estas condições devem reunir:

  1. Substrato: No Brasil, os cogumelos psicoativos mais populares, ou mais facilmente encontrados, são aqueles que aparecem no esterco bovino. Você pode encontrar cogumelos do gênero Panaeolus e do gênero Psilocybe na famosa merda de vaca. Para que seja encontrado qualquer cogumelo, porém, o substrato deve estar colonizado pelo micélio, que é a estrutura “invisível” de onde emerge o cogumelo. Além do esterco bovino, há cogumelos que surgem no próprio solo, em simbiose com plantas específicas. Cogumelos do gênero Amanita, por exemplo, aparecem em solos de florestas de pinheiros. Há outras maneiras de cogumelos mágicos se manifestarem na Natureza, como em madeira, caules e raízes de outras plantas, estercos de outros animais, e outros tipos de solo, mas, no Brasil, Panaeolus, Psilocybe, e Amanita, são os três gêneros mais comuns, que surgem em esterco bovino e no solo de florestas de pinheiros, respectivamente.
  2. Umidade: O desenvolvimento do micélio normalmente depende de água, muita água. Um micélio pode não colonizar o substrato com total sucesso caso falte-lhe isto. Períodos abundantes de chuva favorecem o desenvolvimento do micélio de Psilocybe cubensis, por exemplo. O mesmo vale para os Panaeolus. Isto significa que há as temporadas adequadas de ocorrência destes cogumelos, que equivalem aos períodos do ano em que mais chove. Este é um detalhe importante, e não adiantará você sair para caçar cogumelos depois de uma ou duas chuvinhas. A condição perfeita é a de 1 semana inteira de chuvas seguida de um dia de sol e calor. Amanitas não necessitam lá de muita água. Sua maior exigência é a temperatura ambiente, que deve estar baixa. O inverno do sul do Brasil é a condição ideal neste caso. “Temperatura” é a última, mas não menos importante, das condições de aparecimento de cogumelos mágicos na Natureza.
  3. Temperatura: De maneira geral, do sudeste e do centro-oeste do país, passando-se por todo o nordeste, até além das fronteiras do norte, onde o calor é mais comum, cogumelos do gênero Psilocybe e Panaeolus são mais ocorrentes. O frio do sul brasileiro não favorece completamente ao aparecimento destes cogumelos. Isto não significa que nesta região não seja possível encontrá-los, só é mais difícil do que nas demais regiões. Os famosos Amanita muscaria, por outro lado, se alastram pelo sul nas temporadas adequadas, muito mais do que em qualquer lugar do Brasil. Basicamente, Psilocybe e Panaeolus dependem de calor, enquanto que Amanitas dependem de frio. Considere o seguinte: temperaturas entre 21ºC e 30ºC favorecem o aparecimento de Psilocybe e de Panaeolus, e temperaturas constantes abaixo de, pelo menos, 14ºC são ideais ao surgimento de Amanita.
  • Calor não deve ser confundido, aqui, com luz solar pura e simples. Cogumelos são estruturas fúngicas, e fungos não fazem fotossíntese, e não necessitam de luz, a não ser para que seus cogumelos orientem-se espacialmente. Excesso de luz do sol incidindo sobre cogumelos é altamente prejudicial para os mesmos, de maneira que estes podem queimar-se facilmente num dia de sol muito quente se não forem colhidos logo pela manhã. Atente-se para este detalhe e saia para coletá-los logo cedo. Assim você encontrará os espécimes mais frescos e saudáveis.

ATENÇÃO: Cogumelos do gênero Amanita são polêmicos por sua relativa toxicidade. Há espécies que, se ingeridas, são fatais, e as que não são podem ou não causar desconfortos fisiológicos consequentes de certa intoxicação. Não sou um incentivador do consumo destes cogumelos, de maneira que este guia se dedicará abaixo a esmiuçar mais detalhes relacionados apenas a cogumelos do gênero Psilocybe e Panaeolus, que não oferecem perigo ou dano à saúde. Tratarei a seguir, através de imagens e apontamentos, dos detalhes mais práticos que envolvam a identificação destes cogumelos. Mais uma vez, antes de qualquer coisa, é essencial que você observe se ocorrem as três condições naturais básicas de substrato, umidade, e temperatura, descritas no início deste guia, antes de sair de sua casa para procurar cogumelos mágicos na Natureza.

EA foto acima apresenta cogumelos da espécie Psilocybe cubensis crescendo em meio a esterco bovino. Provavelmente foram encontrados em um pasto. A primeira característica a ser observada são as cores do chapéu: uma mescla gradiente de marrom/amarelo com cinza/branco, se espalhando, nesta ordem, do centro para as bordas.

Agora, observe esta imagem:

bronzeVeja que o cogumelo maior, à esquerda, apresenta uma tonalidade um pouco menos sólida, numa espécie de bronze brilhante/metalizado, diferenciando-se bastante do padrão degradê dos cogumelos da primeira imagem. Entretanto, ele também é um Psilocybe cubensis. O que ocorre aí é que a luz solar pode ter queimado um pouco seu chapéu e/ou ele pode ter sido tingido pela esporulação proveniente dos cogumelos que estão acima dele, no mesmo substrato, o que é normal. Sendo assim, a coloração dos Psilocybe cubensis pode variar, e você pode encontrar desde cogumelos brancos e sutilmente amarelados, alguns amarronzados, dourados e bronzeados, a cogumelos bem escurecidos pela ação da luz solar e/ou do esporulamento proveniente de outros cogumelos.

281824Veja que acima os cubensis encontrados são predominantemente mais claros, com uma transição em degradê menos intensa para o marrom.

Veja:

pretosEstes não são cogumelos encontrados na Natureza, pois são cultivados domesticamente, mas observe como muitos chapéus estão escurecidos. Esta é a ação de tingimento por esporulação de que falei anteriormente. Você poderá encontrar, na Natureza, cogumelos semelhantes a estes, que podem estar escuros devido também à incidência de luz solar sobre eles por longos períodos.

Outro detalhe:
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Todos os Psilocybe cubensis, sem exceção, apresentam esta estrutura escura ao redor da estipe (talo), logo abaixo do chapéu. Este tecido chama-se véu e sua função é a de proteger as lamelas (parte de baixo do chapéu) até antes de o chapéu abrir-se. Depois de o chapéu romper o véu, este último permanece preso à estipe, mas pode também desprender-se por influência do ambiente. Na maioria das vezes, entretanto, você encontrará estes cogumelos com o véu ainda ligado à estipe.

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A imagem acima, muito provavelmente, não refere-se também a de um espécime selvagem, mas nela pode-se perceber mais claramente a presença do véu.

abertoObserve como este cogumelo Psilocybe apresenta um chapéu bem aberto e um pouco distorcido. Cogumelos cumprem função reprodutiva para os fungos. É da parte de baixo do chapéu que são expelidos os esporos, sua “semente”. Por isso, você encontrará desde cogumelos pequenos, do tamanho de seu dedo mínimo, e ainda fechados, até cogumelos maiores que a palma da sua mão e bastante abertos. Note também que aparentemente o cogumelo está emergindo diretamente do solo, mas não se engane, é provável que o esterco esteja coberto pela terra sobre a qual ele está crescendo, mas o substrato onde o micélio deste cogumelo está se desenvolvendo certamente continua sendo o esterco.

Veja:

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Alguns cogumelos podem abrir-se  tanto que o chapéu pode virar-se “do avesso”. Este é um cogumelo de Psilocybe cubensis bastante maduro, já aproximando-se do fim de seu ciclo.

22852092_289764454850457_4790704905570803109_nNa foto acima você pode ver cogumelos Psilocybe selvagens colhidos, provavelmente, em algum pasto. Veja, à esquerda, que bonitos exemplares de cogumelos ainda fechados. Cogumelos nestas condições estão em seu ápice de potência, pois, antes de abrirem-se, os cogumelos mágicos estão no período em que a taxa de concentração de seus princípios ativos é a mais alta possível. Encontrá-los nesta fase de desenvolvimento é muito bom.

Agora, outra característica:

pintaEstes, novamente, são cogumelos Psilocybe cultivados indoor, mas observe que há espécies de manchinhas brancas sobre seus chapéus. Elas são fragmentos do véu universal, que, diferentemente, do véu, cumpre a função de proteger o cogumelo como um todo, como uma membrana que o recobre, desde o período de seu nascimento, quando ele ainda é uma primórdia. Alguns véus universais desaparecem por completo com o amadurecimento do cogumelo, outros, como o que se vê na imagem, permanecem como resquícios sobre os chapéus dos cogumelos. Você encontrará cubensis assim com menos frequência, mas quando os encontrar, colete-os, pois também são os mágicos.

caçada

A foto acima exibe o resultado de uma caçada. Vários Psilocybe cubensis, de tamanhos variados. Pode-se perceber que eles estão encharcados devido, possivelmente, à quantidade de chuva que receberam, mas pode-se dever também ao processo de limpeza a que eles foram submetidos.

Observe mais fotos de Psilocybe cubensis selvagens:

coleta

Observe como há acima, e à esquerda, um cogumelo mais escuro que os demais. Ele pode ter sido exposto a excesso de luz solar e/ou a esporulação por parte de outros cogumelos. Veja também como há um cogumelo no canto inferior direito que se diferencia quanto ao padrão de mescla gradiente de cores. Nele não se observa o amarelo, apenas um tom amarronzado. Mesmo assim ele é um Psilocybe, basta que se note o azulamento em sua estipe.

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Veja como este, por outro lado, é predominantemente amarelo, e note como ele praticamente se esconde em meio à grama alta. A vegetação no entorno de uma colônia, apesar de não constituir seu substrato, pode favorecer ao desenvolvimento da mesma na medida em que retém certa umidade, útil à vida do micélio, e oferece um pouco de sombra aos cogumelos. Lembre-se: cogumelos necessitam de calor, não de luz, a não ser para apenas orientarem-se espacialmente. O excesso de luz solar direta sobre cogumelos pode ser prejudicial a eles.

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Veja que este cogumelo já possui uma tonalidade mais clara. Aparentemente, o marrom está concentrado em um pequeno ponto no centro, onde também se encontra a parte mais proeminente do chapéu. De qualquer maneira, o chapéu do Psilocybe cubensis, em geral, é pouco convexo, curvo, se comparado a outras espécies.

Na próxima foto, logo abaixo, você pode ver mais uma quantia considerável de cubensis. Familiarize-se com a aparência deles. Certamente foram todos coletados em uma caçada:

sacola

Depois de verificadas todas essas características visuais que dizem respeito à tonalidade, forma e estrutura, é hora de ater-se a um detalhe último, que atesta a psicoatividade de um cogumelo, que é o azulamento. Todo cogumelo mágico que sintetiza psilocibina / psilocina escurece quando exposto a qualquer injúria / dano, por menor que seja. O azulamento de um cogumelo confirma a presença de psilocibina / psilocina em sua composição química. Tecnicamente, ele ocorre em detrimento da oxidação enzimática de substratos indólicos, como triptofano, serotonina ou psilocibina, mas interessa-nos, aqui, saber que o azulamento é a última das características a ser observadas em um cogumelo, e, que, se ela de fato ocorrer, você encontrou o prêmio por sua caçada.

Observe as fotos a seguir:

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Para verificar se ocorre a oxidação enzimática que escurece o cogumelo, basta que você esmague, quebre, ou arranque um pedaço de qualquer parte do mesmo. Não é necessário ferir excessivamente o cogumelo, de maneira que dobrar a estipe já é suficiente. Em alguns segundos a alteração na coloração já é visível.

Muito bem. Acredito ter resumido todas as informações básicas a respeito da identificação dos Psilocybe cubensis. Vejamos, a seguir, de que se tratam seus amigos próximos, os Panaeolus cyanescens.

São eles:

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Estes cogumelos são a prova de que nos menores frascos é que estão os melhores perfumes, pois são pequenos se comparados aos Psilocybe, mas mais potentes do que eles. Observe que com relação à tonalidade são, até certo ponto, parecidos. Os Panaeolus, porém, costumam apresentar um gradiente de cores mais intenso, pelo qual se note menos a cor amarela e mais o cinza harmonizando com o marrom. Há, entretanto, a possibilidade de se encontrar Panaeolus mais claros, como os da foto abaixo:

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Um aspecto a ser considerado é também o formato do chapéu destes cogumelos, ligeiramente ovalado. Os Psilocybe, em geral, apresentam chapéus mais planos, menos curvilíneos.

Você pode compará-los abaixo:

CNesta foto é possível perceber a diferença de tamanho do cogumelo maior, um Psilocybe, para os menores, todos Panaeolus. Observe a estipe azulada de alguns deles.

Agora veja um cogumelo do gênero Panaeolus, bastante parecido com todos estes acima, porém não psicoativo:

cubensisAcredito que você já é capaz de identificar o pequeno Psilocybe cubensis crescendo à direita. Note, porém, este cogumelo branco, mais alto, crescendo entre outros dois irmãos. Trata-se, provavelmente, de um Panaeolus antillarum. Este cogumelo não é psicoativo e também é encontrado no mesmo substrato em que crescem os Psilocybe cubensis e os Panaeolus cyanescens, gozando das mesmas condições.

Veja outras fotos de Panaeolus antillarum:

aNTILLARUM

Wild Panaeolus antillarum mushrooms

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Nenhum dos cogumelos destas três últimas fotos são psicoativos, não confunda-os com os cyanescens. A diferença está, basicamente, na tonalidade e na forma do chapéu. O Panaeolus cyanescens apresenta um degradê de cores que variam do marrom para o branco e o cinza, enquanto que o antillarum é predominantemente branco. Quanto à forma, o cyanescens possui um chapéu um pouco mais pontiagudo, enquanto que o chapéu do antillarum é mais arredondando. Fique atento, às vezes estas diferenças podem ser bastante sutis.

Novamente, os Panaeolus cyanescens:

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Lembre-se, estas são informações básicas e não são nem de longe descrições técnicas e/ou científicas para que se faça a identificação de cogumelos psicoativos. Porém, asseguro-lhe já ser possível, a partir delas, que você identifique os cogumelos que descrevi acima.

ATENÇÃO: não toque e não cheire outros cogumelos que não apresentem uma ou mais características dos cogumelos descritos acima. Fungos são seres vivos surpreendentemente perigosos. Alguns podem ser fatais ao toque e à inalação. Quando sair para caçar, use luvas, e comece caminhando e observando. Quando encontrar o primeiro cogumelo, não o arranque imediatamente. Aproxime-se dele e avalie-o visualmente, veja se ele corresponde a o que você leu por aqui. Lembre-se de que alguns cogumelos são muito parecidos uns com os outros. Não se engane e, na dúvida, não retire um cogumelo de seu lugar. Há cogumelos que podem apresentar algumas características parecidas com os Psilocybe, e outros ainda mais parecidas com os Panaeolus, mas atente-se ao teste de azulamento. Através dele é que você deve bater o martelo e ter certeza de que encontrou o que procura.

  • Panaeolus demoram um pouco mais para azularem depois de submetidos a uma injúria, mas não mais que alguns minutos.
  • Psilocybe azulam mais rapidamente, quase que instantaneamente.
  • Ambos, Panaeolus e Psilocybe, possuem um cheiro ligeiramente adocicado.
  • Ambos possuem a parte de baixo do chapéu (lamelas) acinzentadas. Não colete cogumelos que se pareçam muito com eles, mas que possuam lamelas amarronzadas, amareladas, ou de qualquer outra tonalidade.

Veja, por exemplo, o caso de um aparente Agaricus campestris a seguir:

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À primeira vista, se assemelha a um Psilocybe, mas vamos dar mais uma olhada:

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Veja que as lamelas deste cogumelo são marrons. Lamelas de Psilocybe cubensis são cinzas. Além do mais, ele está partido ao meio e não apresenta escurecimento. Este, portanto, não é um cogumelo mágico.

NÃO toque em cogumelos inteiramente amarelos, marrons, roxos, vermelhos, mesmo que se aproximem de alguma das características que você procura como forma e o substrato em que se desenvolvem. A tonalidade deve ser a primeira das características a ser observada.

  • Afaste-se de cogumelos que crescem em madeiras úmidas. Estes podem ser altamente tóxicos.

Veja mais fotos de cogumelos que você provavelmente encontrará em suas caçadas, mas que deve evitar:

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lepiotaaaaaa

Lepiota_cristata_20070819wEstes pertencem ao gênero Lepiota, e, dentre eles, alguns podem produzir amanitinas, que podem ser bastante tóxicas. Não mexa com eles.

Mais uma vez, recolha somente os cogumelos cujas características visuais equivalham totalmente às descrições aqui registradas. Não se meta com fungos que não sejam os mágicos, e, mesmo estes, podem causar-lhe estrago. Seja responsável.

Por fim, o objetivo deste singelo material não é o de torná-lo um expert em micologia, uma vez  que reúno aqui apenas as informações mais básicas possíveis relacionadas à identificação de cogumelos mágicos dos gêneros Panaeolus e Psilocybe, na Natureza. A fim de aprimorar seus conhecimentos de maneira técnica e/ou avançada, você deve estudar outros materiais. A internet está cheia de boa informação. No Google Acadêmico, por exemplo, você pode encontrar e-books, artigos científicos, teses, dissertações, e documentos dos mais variados gabaritos. Tudo só depende de seu interesse e de sua pré-disposição em especializar-se no assunto. Eu sugeriria também um fórum, bastante organizado, e rico em informações, chamado Teonanacatl, e grupos específicos no próprio Facebook, como o “Cogumelos e Enteógenos“, “Cogumelos Mágicos“, e o “Micologia dos Cubes“, com preferência a este último, por reunir cultivadores e apreciadores de cogumelos mais experientes.

Você pode fazer o download deste guia, gratuitamente, e tê-lo à mão durante sua caçada. Para baixá-lo é só clicar aqui.

38 comentários em “Guia ilustrado de identificação de cogumelos mágicos na Natureza

  1. Parabéns pelo texto! Procurei a internet toda e não vi em nenhum lugar tanta informação reunida com detalhes e imagens, explicando como são os psicoativos e os venenosos. Este final de semana até colhi os Panaeolus antillarum achando que eram alucinógenos e outra vez colhei alguns venenosos das ultimas fotos, pois achei bonitos e queria usar seus poros, porem eu estava bem equivocado. Com certeza vou voltar a sua página, abraço.

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    1. Olá, Pedro. Na verdade, este é um apanhado das informações mais básicas. Há muito mais a saber a respeito de cogumelos psicoativos, principalmente do ponto-de-vista técnico, científico. Deixe-me lhe advertir sobre uma coisa com relação a extração de carimbos de esporos: sabe, se a sua intenção é iniciar um cultivo doméstico, infelizmente, é uma perda de tempo iniciá-lo a partir de esporos de espécimes selvagens, pois os mesmos estão contaminados por microorganismos dos mais variados tipos, o que impossibilitaria completamente o desenvolvimento de suas colônias. Micélios selvagens não se comportam bem em simulacros domésticos e tendem a ser dominados por seus contaminantes naturais quando de seu período de colonização/desenvolvimento. Há a possibilidade de se extrair um fragmento interno de cogumelos de píleo ainda fechado (já que seu interior ainda não entrou em contato com o ar e/ou com infectantes), e tentar realizar uma inoculação a partir dele, mas, ainda assim, as chances de sucesso são pequenas, pois este procedimento requer cuidados de higiene praticamente clínicos/laboratoriais. O mais aconselhável é obter seringas de cultura líquida de boa procedência, bolos já colonizados, ou, ao menos, carimbos de esporos provenientes de raças/strains já completamente domesticadas e adequadas ao cultivo indoor. Boa sorte e muito obrigado por seu comentário!

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  2. Quero parabenizar principalmente pelo conteúdo do blog e disposição em relatar e compartilhar suas experiências. Estou iniciando neste “universo”, sempre tive curiosidade mas quero tomar as devidas precações e conhecimento, mas confesso ter dificuldades para encontrar na natureza ou não. Sempre aqui quando dispuser de novos artigos.

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  3. Olá, Izael. Se você for do interior de São Paulo, a próxima temporada é no final do ano, quando chove bastante. Procure em várias áreas diferentes. É provável que você não encontre nada logo na primeira vez. Continue paciente e atento às suas precauções, você está no caminho certo. Obrigado pelo comentário.

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  4. Só para constar, aqueles cogumelos brancos com lamelas marrom-rosadas tem grande chances de ser da espécie Agaricos campestris. Uma espécie comestível que cresce comumente pelos campos e pastos aqui no brasil. Mas não saia comendo cogumelos antes de realmente identifica-los.

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    1. Convencionou-se que 1 grama de cogumelos desidratados ou 10 gramas de cogumelos frescos são uma dose recomendada a quem procura ter uma experiência leve, mas isto também depende de seu IMC (Índice de Massa Corpórea), ou seja, se você for uma pessoa de biotipo médio – consideremos de 70 quilos -, essa é sua dose. Caso você tenha entre 5 e 20 quilos a mais, aumente a quantia para 1,5 gramas, ou mesmo 2 gramas se você tiver mais de 90 quilos; se você possui muito menos que 70 quilos e, se o que você quer é ter uma “brisa leve”, não tome mais que 1 grama de cogumelos desidratados (ou 10 gramas de cogumelos frescos, seu equivalente). Lembre-se: a relação de proporcionalidade entre cogumelos frescos e desidratados é de 10 para 1, respectivamente. Qualquer mínima alteração na dosagem pode significar uma grande diferença para seu organismo.

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  5. Tenho alguns cogumelos crescendo no meu jardim e gostaria de ajuda para identificar se são venenosos alicinogenos ou inocuos… tem alguma maneira de te enviar as fotos dos mesmos?

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  6. obrigado pelo esclarecimento, fiz minha caçada domingo passado e conferi quais cubes seriam psicoativos, seu material me ajudou muito e o chá deu super certo, seguindo as dicas de dosagem/preparo!

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  7. Como médico, parabenizo-o pelo texto. Nao entendo nada do assunto, como li que a Psilocybin é útil na depressao em cancerosos, fui pesquizar e gostei de seu texto. Obrigado!

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  8. Já li bastante sobre cogumelos mágicos É seus efeitos !
    Tenho o que eu diria um conhecimento raso sobre o assunto,vi muitos vídeos,Já fiz até cultivo dos mesmos “Não tive muita sorte os micélios morreram ” diante do conteúdo que acabei de ler não pude deixar de elogiar ,parabéns pelo compromisso em instruir os curiosos como eu ,esse material está completo,a meu ver todos que desejam saber um pouco mais sobre cogumelos mágicos deveriam começar por aqui !
    Parabéns pelo trabalho!

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      1. bom dia eu estou com uma duvida , eu achei uns cogu q sao identicos aos cubenssis pois eles nao apresentaram nada de cor azul.sera q sao outros tipos de cogu ou isso pode acontecer? eu colhi eles logo apos q rompeu o anel

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      2. Há semelhanças entre muitos cogumelos, mas, e é bom que fique claro, cogumelos que sintetizam psilocibina azulam ao sofrerem alguma injúria. O processo se dá pela oxidação do alcalóide. Panaeolus demoram um pouco mais para apresentarem a coloração, mas, como os Psilocybe, também azulam. Normalmente, escurecem até mais que eles. Veja, não há chances de um Psilocybe cubensis simplesmente não azular, entende? É um processo intrínseco à sua morfologia. Provavelmente, o cogumelo que você encontrou não é um cubensis.

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  9. Excelente trabalho!
    Percebe-se a caridade e humildade em sua didática peculiar de estímulo e precaução fazendo que o mais leigo acredite no acesso a essa Terapia.
    Sabe de alguma espécie que seja usada com finalidade analgésica?

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    1. Olá, Edgar. Ganoderma lucidum, conhecido na Ásia como o “cogumelo da imortalidade”, é utilizado por lá há cerca de 4 mil anos para fins medicinais diversos. O espécime possui, dentre outras propriedades, poder analgésico. Há muitas outras espécies que são utilizadas como medicamentos e boa parte delas merece maior atenção e melhor emprego pela indústria farmacêutica. Consulte o Google Acadêmico para aprofundar-se mais no assunto. Lá você tem acesso a artigos científicos na área de micologia. Um abraço.

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  10. Eu sempre tive vontade de experimentar o chá de cogumelo.
    Mas não dá pra de fazer com aqueles cogumelos comestíveis né ? Tem um colega que vende e achei interessante se desse pra fazer chá com ele. Mas é daqueles comestíveis normais, não fala nada de ser alucinógeno.

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    1. Olá. Se os cogumelos são comestíveis, é certo que se possa fazer chá com eles. O chá de cogumelos psicoativos, entretanto, não é exatamente gostoso e mais ou menos o mesmo eu diria acerca de qualquer outro cogumelo. Talvez existam receitas de chá de champignon, de shimeji, e por aí vai, mas eu mesmo as desconheço. Você deve encontrar algumas sugestões no Google.

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  11. Muito interessante a leitura! Tenho um pasto em São Paulo onde há muitas vacas, também há um córrego por perto, será que posso encontrar cogumelos mágicos lá? Dá para encontra estes em junho ou apenas no verão? Como faço para desidratar os cogumelos? Obrigado!

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    1. Olá. A chance existe, mas a possibilidade depende da própria natureza. Normalmente, os esporos de Psilocybe vagam pelo ar um pouco menos do que os de Panaeolus. O fungo precisa chegar até os estercos em seu pasto e inoculá-los com sua “semente”. O restante é, como eu disse, com a natureza. Junho, Julho e Agosto costumam não favorecer muito ao desenvolvimento das colônias por se tratarem de épocas de frio e de seca por boa parte do país. Os cogumelos necessitam de calor e de umidade para amadurecerem. De qualquer maneira, a ocorrência não é necessariamente impossível no atual momento. Apenas menos provável. Aguarde por uma chuva um pouco mais intensa e vá dar uma olhada. Procure pelas fezes razoavelmente velhas (não tanto) e desconsidere os bolos frescos e moles demais. Caso não encontre, tente novamente dias depois, e/ou aguarde até as chuvas de final de ano e pelas “águas de Março”. Quanto a desidratar cogumelos, consulte o tópico “Instruções sobre como preparar e/ou armazenar Psilocybe cubensis”. Descrevo tudo detalhadamente lá. Boa sorte.

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  12. Muito bom texto!! Está de parabéns. Só algumas dúvidas: quais são os efeitos na saúde do usuário, a longo e curto prazo? Há algum jeito de extrair a psilocibina/psilocina do Cubensis? O uso pode desencadear esquizofrênico no usuário (assim como o LSD pode)?

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    1. Olá, Felipe. A minha opinião, que não é a de um médico, se ampara mais no resultado das somatórias de minhas experiências práticas e muito menos, naturalmente, em estudos científicos e em bibliografia técnica na área da Saúde. Deixo isto claro antes de responder a essas questões tão importantes. Como entusiasta convicto do uso de cogumelos, me policio, por outro lado, a fim de não reproduzir algumas das afirmações inerentes ao discurso de quem defenda incondicional e irresponsavelmente a ingestão de qualquer enteógeno. Grosso modo, portanto, e com o devido cuidado, eu diria a você que os efeitos na saúde do usuário são muito menos prejudiciais do que benéficos. Do aspecto da fisiologia humana, não há nada de minimamente grave a se atribuir à ação da psilocibina, em longo e em curto prazo. A ressalva, apontada por todo especialista clínico, é a integridade psíquica do usuário. Faço, eu também, a mesma ressalva. A mente é um território originalmente neutro e, ainda hoje, majoritariamente desconhecido. É muito comum que ela se torne um enorme labirinto à medida que é explorada indiscriminadamente por consciências que não sejam capazes de resolver muito bem os enigmas existenciais com os quais elas se encontrem, querendo ou não, a cada experiência psicodélica. Tal qual a maçã da árvore do conhecimento, essas questões podem se tornar uma espécie de fruto proibido cuja ingestão, apesar de trazer luz ao oculto, proporciona grande sofrimento a seu experimentador. A substância coloca o indivíduo em contato direto com sua essência mais profunda e o avassalamento interno é quase sempre inevitável. O enigma que é a ilusão da separatividade, por exemplo, a questão da morte atrelada à finitude do ser, e a natureza artificial da realidade mais palpável à nossa volta, são como demônios perseguidores para um psiconauta pouco preparado e se tornam um problema desagradável quando encontrados no fundo do poço da psique humana. Tudo, na verdade, se resume à superfície animal das emoções, ou, neste caso, à mais danosa delas: o medo. O medo é a raiz de todo o prejuízo psíquico e psicológico que acomete a saúde do usuário de cogumelos psicoativos. É apenas sob influência desta emoção, aliás, que o ser humano se abstém de conhecer completamente a si mesmo e atingir a plenitude de sua condição biológica e espiritual. À iminência de um contato com uma espécie de episteme divina e/ou extraterrestre e, por conseguinte, da destruição de todo o paradigma conhecido, é através do medo que o ser humano submete-se a uma enganosa autodefesa, que são as neuroses e psicoses. A possibilidade do mal, ou da doença, assim, não está relacionada à substância em si, mas ao conteúdo do “anímico” do próprio experimentador. A psilocibina é como um catalisador desse conteúdo. Portanto, há que se ter alguma certeza sobre o que se quer quando se ingere uma boa dose de cogumelos. A esquizofrenia a que você se referiu, por exemplo, é outro fenômeno derivado do medo e age como um falso dispositivo de segurança para a mente e uma garantia verdadeira de conservação para o ego, pois que depende de sua condição exclusivamente corpórea à medida que a mente possui natureza causal, ou pré-material. É assim que se constitui ameaça, aos olhos do ego, o porvir, o desconhecido; é assim que se apresentam atrativas as mesmas coisas aos olhos da mente. O primeiro esforça-se por negar o que se lhe apresenta. A segunda por afirmar esta mesma coisa. Eis a trans-histórica dicotomia humana. Não sei se estou conseguindo ser um pouquinho claro. Este assunto é estupidamente longo e subjetivo e se desdobra em si mesmo para uma infinidade de direções. A doença é uma ilusão, mas ela existe para aqueles que estão sujeitos a experimentá-la. Não há, entretanto, que se ter medo de desenvolvê-la em algum momento. Tudo comunga e conspira para o melhoramento da vida. Nada, nem mesmo o aparente mal, importa. Quanto a se extrair os alcaloides de Psilocybe cubensis, sim, há um jeito, mas a prática configura crime, uma vez que se trata de isolar uma substância que, pura, é considerada ilegal. Coma os cogumelos e tenha dor de barriga. A lei permite e o efeito é o mesmo. Um abraço.

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  13. Muito bom o texto, eu conhecia os cogumelos panaeolos e cunbensis, mas não sabia que existia um panaeolus que não não contém psilocibina. O que não contém, também é comestível ou faz mal se ingerido? Outra pergunta encontrei panaeolus no esterco de cavalo, pode ser que seja o sem psilocibina?

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    1. O Panaeolus que você encontrou, possivelmente, se trata de um Antillarum, não psicoativo. Os Panaeolus, de forma geral, são comestíveis, embora não sejam empregados para fins culinários. A fim de encontrar cogumelos psicoativos, procure sempre nas fezes bovinas. O substrato ideal é mesmo a merda da vaca, não a do cavalo. Boa sorte.

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  14. Olá, Minha dúvida é a seguinte, fui no pasto do meu sítio e fiz a colheita sobre o estrume da vaca dos cogumelos cyanescens, identifiquei-os como a tonalidade azulada no caule, no entanto, algum desses no processo de secagem, ficaram bastante azul e preto… tem algum problema?
    E de acordo com o post acima, diz que os menores são os mais fortes… posso ingerir duas gramas?
    Posso armazená-los naqueles saquinhos de lacre depois de secos? Valeu e curto muito a página!!!

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    1. Olá. O escurecimento indica oxidação dos alcaloides. O processo é natural, mas quanto menos você danificar as peças no momento da coleta, e por enquanto durar a etapa de limpeza e desidratação, menos a oxidação irá se dar. Normalmente, cyanescens oxidam muito mais que cubensis. É bastante normal que as peças dos primeiros escureçam quase que totalmente e que os segundos azulem de forma menos intensa. Ingira dois gramas. Não mais, se for sua primeira vez. Com relação aos zip-locks, não confie totalmente neles. A umidade do ar pode entrar neles facilmente. O ideal é um frasco de vidro com sachês de gel de sílica. Nestes os cogumelos permanecem completamente intactos e secos por anos.

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      1. Obrigado pela dica! Vou armazenar em um pote de vidro escuro… Ah, Comi um grama e fui longe, realmente esses pequenos são bem munidos de magia kkkk

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  15. Mais uma dúvida, fiz o processo de secagem dos meus cogumelos, porém quando abri o recipiente passados os 5 dias, teve um odor muito forte e eles aparentavam estar moles e úmidos, o que aconteceu? Sinto que falhei no processo de desidratação… Além dos dessecantes, o que mais posso usar para absolver a água dos cogumelos? Ultilizei papel toalha na primeira vez e deu certo, ficaram secos, porém agora não deu certo, ficaram pequenos, úmidos e pretos… o que eu faço?

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    1. O erro, provavelmente, aconteceu na etapa de secagem por ventilação e/ou quando você os armazenou com os dessecantes. A ventilação não seca as peças completamente, mas dá cabo de uma parte significativa da água. O resultado são cogumelos murchos com boa perda de volume e peso. Eles devem estar secos ao toque, mas não necessariamente estorricados. Ao armazenar, coloque-os num frasco de vidro com tampa com a maior quantidade de sílica gel que conseguir. Se a quantidade de dessecantes for pequena, é possível que a desidratação não ocorra completamente. A cor preta é um indicativo de oxidação, mas também pode significar apodrecimento. Atente-se a esses detalhes. Descarte suas peças se elas estiverem esbranquiçadas também, pois isto indica mofo.

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  16. Cogumelos rosas, talvez salmão, que nasceram em uma árvore que está apodrecendo são comestíveis? Desde já obrigado…

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    1. Não tenho como afirmar, a partir de uma tão generalizada descrição, de que espécie se tratam. Na madeira há cogumelos tóxicos. Outros possuem sabor amargo e/ou apimentado demais. Eu optaria pelos tradicionais e já conhecidos Shimeji, Shitake e Champignon.

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